CNRS e Universidade de São Paulo: uma cooperação resforçada por meio do IRC e dos IRL
O CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) é a maior instituição de pesquisa da França e líder mundial em inovação científica, publicações e cooperação internacional. Ele abrange todas as disciplinas científicas e está estruturado em dez institutos, incluindo o CNRS – Humanidades e Ciências Sociais, que tem como objetivo manter a excelência nesse campo e, ao mesmo tempo, responder aos desafios sociais contemporâneos.
Por sua vez, aUniversidade de São Paulo (USP)com mais de 90.000 alunos e 11 campi espalhados pelo estado de São Paulo, é uma das instituições acadêmicas de maior prestígio na América Latina, produzindo mais de 20% da pesquisa científica do Brasil. Vários de seus departamentos, especialmente nas áreas de ciências humanas e sociais, estão entre os melhores do mundo.
O CNRS tem várias ferramentas para a cooperação internacional, incluindo programas e redes internacionais, laboratórios e centros de pesquisa. programas e redes internacionais, laboratórios e centros de pesquisa. Em 2023, um Centro Internacional de Pesquisa (IRC) foi criado na USP, juntando-se aos seis centros semelhantes estabelecidos pelo CNRS em todo o mundo. Essa iniciativa ilustra o desejo do CNRS e da USP de fortalecer sua cooperação, ampliando e aprofundando suas relações científicas.
Nesse âmbito, foi criado um International Research Laboratory (IRL) na área de Imunologia no Campus de Riberão Preto e está sendo criado hoje um Centro nas área de ciências humanas e sociais, denominado IRL2034 Mundos em transição.
IRC e IRL: duas ferramentas complementares
Se os IRC criam as condições para uma cooperação reforçada, os IRL são os lugares onde essa cooperação se concretiza. São instrumentos muito potentes e originais, tendo em vista serem laboratórios binacionais e bi-institucionais. Dessa forma, são estruturas de pesquisa em atividade em ambos países, permitindo:
- Uma colaboração ativa entre pesquisadores dos dois paises;
- Uma circulação facilitada de pesquisadores entre os dois países
- A possibilidade de concorrer a chamadas das agências de fomento em ambos os países.
A propósito, a FAPESP abriu ao IRC a possibilidade de demandar acesso, sob demanda da Instituição de Pesquisa que o sedia, ao programa especialmente criado para apoio aos Centros Internacionais estabelecidos em São Paulo.
Os IRL são dirigidos por uma equipe binacional. No caso de Mundos em transição, foram indicados :
- Cláudia Perrone Moises , professora da faculdade de direito da USP;
- François-Michel Le Tourneau, geógrafo e diretor de pesquisa no CNRS.
A criação tanto do IRC quanto dos IRL simboliza a busca pelos parceiros de uma cooperação avançada, assim como o reconhecimento pela USP e o CNRS de novos desafios e perspectivas que desejam abordar conjuntamente.
O IRL Mundos em Transição : heranças e perspectivas
A criação do IRL Mundos em transição insere-se numa longa e profunda história de relações científicas e intelectuais, que começou com a famosa Missão Francesa na USP na década de 1930, que contou com intelectuais e pesquisadores franceses importantes como Roger Bastide, Pierre Desfontaines, Claude Lévi-Strauss e Pierre Monbeig. Ela representa assim ao mesmo tempo um elo com o passado assim como um salto para o futuro.
Tendo em vista tal herança, o IRL Mundos em Transição projeta-se para o futuro com uma dupla ambição:
- servir como (mais) uma ponte entre a USP e o CNRS e mais amplamente entre os universos da pesquisa na França e no Brasil, facilitando contatos e mobilidades, podendo abrigar projetos de pesquisa, emergentes ou de grande porte;
- desenvolver novos avanços nos campos teóricos e empíricos da pesquisa em ciências sociais e humanas, posicionando-se na interface entre as pesquisas avançadas e as demandas sociais, assim como favorecer a interdisciplinaridade.
A transição como desafio multidimensional
Nesta perspectiva, o tema da “transição” é particularmente pertinente, pois ele coloca desafios extremamente importantes tanto para os pesquisadores, quanto para as sociedades. Ao invês de transições do passado as mutações atuais apresentam novas especificidades:
- Um porte global: os fenômenos que compõem a transição (que vão das mudanças climáticas às consequências das redes sociais nas relações sociais, passando pela transição energética, às mudanças nos regimes democráticos, a economia das plataformas, etc.) aplicam-se e tem efeitos em todas as partes do mundo simultaneamente, afetando ao mesmo tempo (mas não da mesma forma) o cidadão em Paris e comunidades indígenas da Amazônia.
- Uma natureza multidimensional: a transição em curso é composta de fenômenos ambientais, econômicos, sociais, tecnológicos que se sobrepõem, sendo extremamente difícil diferencia-los pois existem ciclos de feedback e retroações;
- Uma exigência de analise sistêmica: a magnitude em termos de variedade dos desafios a serem enfrentados é imensa, exigindo uma abordagem à altura desta complexidade.
Essas especificidades articulam o projeto de pesquisa do laboratório.
Funcionamento e impacto
O IRL ira favorcer:
- intercâmbio de pesquisadores e pesquisadoras para estadias curtas ou longas, da França para o Brasil e do Brasil para a França;
- o suporte de projetos de pesquisa que serão financiados pelas agências da França, da União Europeia e do Brasil, por meio de propostas dos pesquisadores a partir de chamadas abertas ou solicitações específicas;
- a organização de ciclos de seminários, como é o caso da Semana Franco-Uspiana;
- a associação de pesquisadores e pesquisadoras da USP e do CNRS ao Laboratório, que poderão assum participar das atividades.
A imagem abaixo resumo as ferramentas às quais o IRL tem acesso para apoiar essa cooperação:

O IRL Mundos em transição tem a sua sede na Maison du CNRS no campus Butantã, Rua da Reitoria, 100 (outro lado do banco Santander Select), local que esperamos se constitua, em breve, em um centro privilegiado da cooperação entre França e Brasil na área de ciências sociais e humanas. Conjugando passado e futuro, o IRL representa uma ponte entre as tradições cientificas e os desafios emergentes, afirmando a vontade da USP e do CNRS de explorar juntos as transições do mundo contemporâneo.