
Nadia Belaïdi
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Nadia Belaïdi
Nadia Belaïdi é diretora de pesquisa no CNRS, na UMR Eco-antropologia do MNHN, onde é responsável pela equipe Diversidade, expressões e dinâmicas das culturas. Também é redatora-chefe e diretora de publicação da revista Droit et Cultures.
Suas pesquisas abordam a emergência de uma ordem pública ecológica material (conceito desenvolvido em sua tese) e, mais especificamente, sua experimentação a partir da conservação da natureza. Ela se interessa pelos valores sociais mobilizados por grupos sociais, instituições e Estados, prestando atenção aos saberes, práticas, técnicas e tecnologias jurídicas que eles colocam em prática. Para isso, questiona as espacialidades do direito: as (inter)normatividades e as (inter)legalidades ecológicas e ambientais do local ao global.
No nível local, ela parte das normatividades que permeiam as modalidades de conservação da natureza (áreas protegidas/áreas conservadas) na África Austral, no Brasil e na França, analisadas sob a perspectiva de justiça ambiental e de reconciliação (pós-apartheid, racismo, pós-colonial). O direito é, assim, apreendido como um discurso e práticas que revelam as visões de mundo e as relações sociais que coexistem nessas sociedades. No nível nacional, ela estuda a resposta dada pelas sociedades à Antropoceno a partir da recepção da criminalização do ecocídio. Para isso, baseia-se em uma forma de legística científica que associa etnografia, raciocínio jurídico e linguística, a fim de captar, além dos termos da lei escrita, a formulação das normas jurídicas.
No nível internacional, ela observa as negociações relacionadas à Convenção sobre a Diversidade Biológica. Apoiada por seu mandato como Ponto Focal Nacional (França) para o artigo 8j) e disposições relacionadas da Convenção (nomeada desde 2022 pelo Secretariado das Nações Unidas da Convenção, por proposta do governo francês), ela as aborda como um microcosmo da fabricação do direito ambiental, onde se expressam as diferentes relações com o mundo e com o direito.
O conjunto de seus trabalhos concretiza uma abordagem científica: a antropologia do direito ambiental. Essa perspectiva mobiliza as próprias dinâmicas do direito para questionar os sistemas de representações que agem na construção social e política das sociedades, com o objetivo de avaliar a construção de um governo do comum.
